Pomarola – agora com tempero atômico

Faz cinco dias que abri o armário (limpinho, arejado e recentemente faxinado) da despensa e encontrei dentro isso:

Na verdade, encontrei isso e muito molho de tomate com ecas brancas espalhado pela mesma prateleira: a embalagem explodiu. Fiz o que qualquer cliente lesado faria: fotografei e enviei por e-mail à Unilever na hora do almoço de quarta-feira, 23/02, com um relato detalhado e educadinho do acontecido. Pra evitar que me pedissem que mandasse esse monstro pelos Correios para análise, escrevi com todas as letras no e-mail que já tinha jogado fora porque não me atrai deixar uma parada fedida e bichada na minha casa.

Até agora, o único retorno que obtive além do robô que responde e-mails automaticamente, foi da Betania Gattai, ao meio-dia do dia 25/02. Basicamente, ela pedia para ” que caso ainda tenha o produto, sugerimos que o guarde para nos fornecer alguns dados e assim, por favor, aguarde o nosso novo contato.e Se preferir, você poderá ligar para o telefone 0800 707 0077, informar o número de seu registro (1-262408904) que consta em nosso cadastro e daremos continuidade.. Justamente o que tentei evitar sendo clara, aconteceu. Respondi nove minutos depois dizendo que, como informado previamente, joguei o troço fora. Faltou dizer que, se quisesse tratar por telefone, teria feito isso já no primeiro contato, pois o 0800 tá do ladinho do formulário de e-mail no site do produto.

Eu gosto desse molho. Ainda que prefira mil vezes aquele que eu mesma faço em casa, tem ocasiões em que o tempo urge e Pomarola resolve bem e é muito prático, além de ter o sabor menos ruim dos industrializados. Só que agora fiquei com um pé atrás, temendo estar comprando um criadouro doméstico de lesminhas ao invés de molho de tomate. Espero que se resolva.

***

PRIMEIRO UPDATE 1º/mar – progresso 0%:

Olá, Carla!

Muito obrigada por nos informar. Já acionamos a área responsável. Pedimos, por gentileza, que aguarde, pois em breve entraremos em contato.

Fique à vontade para nos contatar quando quiser, os nossos canais de atendimento estão à disposição.

SEGUNDO UPDATE 1º/mar – duas horas depois – progresso 50%:

Recebi uma ligação do SAC (desculpa, moça, não me lembro mais do seu nome). Me fizeram algumas perguntas para, afinal, concluir que deve ter havido contaminação do conteúdo graças ao surgimento de microfuros na embalagem, provavelmente durante o manuseio, armazenamento ou transporte. A moça me disse que vou ganhar um Pomarola Manjericão novo, tamo no aguardo que ele pinte por aqui.

TERCEIRO UPDATE xx/mar – progresso 100%:

Chegou a reposição, já comi, tudo certo, brigada.


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Buenos Aires para bebês/crianças e mais yadda yadda

Miguel internacionalizando

Já algum tempo eu e meu consorte não fazíamos uma viagem que não fosse pra praia, destino mais prático por conta de distância curta e da garantia de diversão para a prole. Estávamos com saudades de algum programa menos roots, então juntamos essa vontade com a proximidade geográfica, promessa de relevo favorável aos passeios a pé e o câmbio sorridente e nos mandamos para Buenos Aires numa aventura muito louca de cinco dias.

Viajamos com um piá de um ano e meio a tiracolo, então era certo que parte da programação deveria estar voltada à satisfação do petiz, até porque nem o mais santo dos bebês (o Miguel, no caso, é o próprio) aguenta pacificamente doze horas sentado no carrinho circulando pelas calçadas da cidade.

Minha irmã me deu um Guia Quatro Rodas de Buenos Aires que foi um companheiro ótimo, completo de dicas para programas diversos, inclusive aqueles para as crias. Não conseguimos pesquisar quase nada na web antes de ir, mas li quase todo o guia, então já sabia o que tinha pra fazer e que bateria com nossos interesses. Temos aí três programas adequados pra quem vai viajar com uma encomendinha:

A primeira atração para o piazinho que visitamos foi o Museo de Los Niños, que fica no Shopping Abasto, o maior da cidade. O shopping é bem central e, além do Museo, a visita vale a pena para conhecer a beleza e grandiosidade do antigo Mercado Municipal de Buenos Aires. Se bobear, ainda rola gastar um troco. O espaço é enorme, lindo, colorido, diversificado e encantador. Tem muuuitas atrações, desde “simuladores” pras crias brincarem de dirigir trator e avião até uma fábrica de doce de leite, em que é possível acompanhar todo o processo de preparo do produto, passando por estação de TV e rádio. Dá pra ficar muitas horas curtindo.

O Zoo de Buenos Aires é animal (rapaz, eu adoro um trocadilho ruim). Bem sinalizado, bem organizado, plano (melhor dos predicados, neste caso), limpo e com atrações espetaculares: tem urso polar, pinguim, camelo, lhama, lêmures e outra penca de bichos que nem sei como se chamam. As jaulas (não consegui achar expressão melhor, mas não me lembro de ter visto qualquer animal que estivesse literalmente enjaulado) ficam bem próximas umas das outras, coisa que poupa as pernas (eventualmente os braços também) dos pais, e são bem espaçosas. Usando fossos, vidros e outros truques, eles deram um jeito de conseguir que os animais ficassem muito acessíveis sem que nem eles, nem os visitantes, corressem riscos. Outra coisa MOITO LEGAL é que o parque vende uma ração que pode ser oferecida para os animais. Então algumas jaulas têm um “escorregador” pra criança mandar o papá lá pra dentro e, no caso de bichinhos menores e mais pacíficos, é possível alimentá-los diretamente na boca:

Miguel jura que o bisso mordeu o dedo dele, mas é mentirinha.

O city tour no ônibus double deck com jeitão de jardineira também foi um passeio que o piazinho aproveitou. Além de dar uma geral pela cidade, tomar um sol no coco no segundo andar e depois descer pra comer um potinho no ar condicionado do térreo, o Miguel adorou o serviço de narração do passeio que pode ser ouvido por fones em até 10 idiomas. Ele passou boa parte do trajeto trocando o plug dos fones de buraco e, assim, exercitando o poliglotismo.

Outro plano que conseguimos colocar em produção foi o das compras para o guri. A Avenida Córdoba, mais ou menos a partir do número 4.000, tem umas 15 ou 20 lojas, a maior parte outlets, de roupas para crianças. Além do câmbio favorável, calhou de estarmos por lá quando o comércio estava no ritmo de promoção de verão. Ueeeeepaaaaa!!!

Cheeky – roupas para bebês metidos a elegantes, adoro. Os preços não eram assim uma Brastemp, mas as roupas eram muito, muito lindas (altos tricôs e, pra variar, mil vezes mais opções para meninas). Miguel saiu de lá com uma sunga retrô, meias 3/4 de listras grossas e com uma boina/boné daquelas que meu avô usava.

Mimo & Co: a maior, mais cara e, de longe, com o pior atendimento. As roupas não tinham nada de mais, nenhuma peça me despertou desejo. Isso somado à antipatia e cara de argentina entojada da vendedora que resolveu que eu precisava de ajuda foram fatores decisivos para eu sair de lá feliz da vida, sem nada pro meu filho. Menos um dia de berço e eu teria cuspido naquela guria.

Gimos: avesso da Mimo & Co. Preços espetaculares (compramos remeras pro piá por 19 dinheirinhos), estampas diferentonas, gente sorridente e solícita ao redor. Atóron!

Grisino: outra loja de malhas lindas, muuuito coloridas e com estampas ótimas. Os preços não eram assim de grátis e a maior parte das peças eram de ponta de estoque. Ainda assim, é possível largar facilmente uns pesos por lá. Aqui também fui meio perseguida pelo vendedor, mas ele não chegou ao ponto de me irritar.

Essas foram as lojas em que compramos. Entramos em algumas outras e passamos reto por outras tantas. Impossível conciliar sacolas, mochilas, bebê, carrinho e chuva por muito tempo. Anyway, pra quem quiser se aprofundar na arte, este site aqui foi minha principal fonte.

Pequenas observações antropológicas nadavê, mas que eu preciso registrar para poder contar no boteco:

– No primeiro dia em Buenos Aires, me chamou a atenção a inexistência de gente obesa e negra. No segundo dia por lá, resolvi levantar dados: na rua desde as 9h da manhã até as 8h da noite, vi dez pessoas gordas que não estavam nem perto da obesidade mórbida. E nenhuma negra.

– Esse esquema do pessoal com tudo em cima pode estar abraçado a dois fatores que, mui perspicaz, também observei durante o passeio. Um é que a comida, em todos os restaurantes em que estivemos, vinha com pouquíssimo sal, coisa linda de se ver. E vi na porta de uma panificadora um cartaz que explicava porque agora o pãozinho vinha com menos sal e isso era bom, com toda a pinta de campanha oficial. Fator número dois: meudeusdocéu todo mundo fuma. To-do-mun-do, desde os muito jovens até os muito velhos de ambos os sexos.

– Por falar em sexo, identifiquei apenas dois rapazes com tendência ao time de cá durante nossa estadia por lá. Ou meu radar anda meio falho, ou as bee argentinas são menos pintosas.

– Nas ruas, todo mundo é igual. Vi poucos mendigos e, fora homens de terno e ladies de tailleur, todo mundo tá vestido do mesmo jeito e aparentando viver no mesmo estrato social. Me esforcei tentando identificar ricos, remediados, pobres e publicitários e não cheguei a lugar algum. Deve ser culpa da crise, mas não parece ruim.

– O Senhor esteve comigo e não vi nenhum homem usando calça saruel – dizem que é tendença entre os machos por lá.

– A praga do sapato com um pedaço de chão embaixo não atravessou a fronteira. A enooorme maioria das mulheres por lá usa tênis ou sandália, essas com pouco ou nenhum salto.

Tô feia, mas tô na moda e, finalmente, com 1,70m.

– Aparentemente, o conceito escravizador dos cabelos lisos nem resvalou nas mulheres portenhas. Por completa incapacidade oral, não conversei com nenhuma delas, mas observei que as gatas de qualquer idade são muito seguras de si, não apenas nesse aspecto. A maior parte das cabelas fica no caminho entre o ondulado e o liso, e elas prendem os fios de todo jeito – e de qualquer jeito, ou de nenhum jeito, com convicção de que estão abafando. Apoiei muito.

– A postura tô nem aiiií se estende às pestanas, coisa da qual sou obrigada a discordar. Pelo na cara de mulher tem que ser muito bem tratado. As sobrancelhas das argentinas são horrorosas. A maioria parece nem se lembrar que elas existem; a minoria que se lembra que elas existem elabora um traçado muito bizarro nos pelos. Fosse eu da área de beleza/estética, com toda a convicção da vida abriria uma barraquinha por lá e começaria um império J Sisters na base do tango.

Brasileiro é jeca

Quase dou razão às poucas caras de cu com que fomos recebidos pelo caminho por vendedores/motoristas/garçons. Raras vezes estivemos no mesmo ambiente que gente brasileira que não me fizesse sentir vontade de obrigar meu estômago a me engolir de vergonha. “Ai, que delícia, tem Císar Salad”, “Oi, só tem molho branco, não tem molho alfredo?”, nego correndo abraçar mercadoria assim que entra na loja e volta de ré com ela no colo até o guarda-volumes pra aí sim guardar sua bolsa, camiseta amarela com bandeira brasileira bordada com lantejoulas fazendo conjunto com óculos de sol de BBB e sandália com pedaço de chão grudado, gente gritando com a tripulação do voo e dizendo que “aquilo tudo era uma palhaçada” porque a aeronave apresentava problemas técnicos (entendo e solidarizo com cagaço, mas não compactuo com grosseria). Enfim, uma graça de pessoal. Não sei se turistas de outros países se conportam da mesma forma, até porque me restrinjo a observar os que são de mesma origem que eu, pra poder julgar e condenar. Gente, que vergonha.

Banho de gasolina

ISSO É MUITO SÉRIO.

Fui abastecer meu carro ontem. Parei do lado da bomba e fiquei olhando para o além, como toda mulher faz (homem gosta de descer do carro, né?). Pois bem. Passou um tempo, me apareceu um frentista “Duhhh, a bomba escapou.” Pensei com meus botões: “Beleza. Deu aquela babada na boca do tanque, o tio vai passar um paninho.” Aí que ele pegou aquele trapo xexelento que usam pra limpa parabrisas e começou a esfregar em toda a lateral do carro, teto e capô. Eu permaneci do meu assento, pensando no quanto estava atrasada e no volume sinistro de coisas que tinha pra fazer. Ele acabou de esfregar o pano, me deu a chave, vazei.

Hoje cedo cheguei na garagem e olhei pro capô, altos respingos de cor fosca. Cuspi, esfreguei, não saiu. O mesmo no bagageiro e no teto. Fui no posto, pedi o gerente, não tinha chegado, liguei há pouco, ele foi atencioso e disse que vai mandar polir meu carro “pra ver se sai” (mandei polir o carro há 20 dias, depois de já ter jurado pro Senhor que não colocaria mais nenhum centavo na aparência dele enquanto a minha vaga na garagem do edifício continuasse sendo a que é. Deus castiga).

O que eu aprendi com isso?

1. Deus castiga.
2. Gasolina mancha.
3. Descer do carro enquanto ele é abastecido não serve só pra dar uma desamassada no saco.

Da arte de transformar grafite em diamante

Quem não se lembra do tempo em que só existia caixa de bombons Garoto e que ela pesava generosos 500g tá perdendo tempo aqui neste blog de vó.

Pois bem. Os bombons eram praticamente os mesmos que vêm nessa caixinha mirrada atual: Alô Doçura, Opereta, Serenata de Amor, Crocante, Caribe e assim por diante. Além desses, a caixa também trazia os “Heróis da Resistência”, aqueles bombons que permaneciam lá dentro por dias e dias depois de deflagrado o início dos trabalhos de comilança: os detestados bombons de frutas. Banana, Ameixa, Abacaxi.

Normal era deixar esses sabores exóticos na caixa, esquisita era a criança que gostava deles.Eu era uma criança esquisita: coisa mais sem graça da vida bombom de chocolate só com chocolate, curtia mesmo um azedinho de fruta dentro. E curto até hoje, tanto que grunhi de alegria quando, no começo do ano, a Garoto anunciou a volta dos bombons de frutas com novos sabores e numa embalagem só para eles.

Só eu sei quanto sofri pra achar essa parada aqui no interior. Mandei e-mails pra Garoto (que duas vezes respondeu sem esclarecer minha dúvida, sensacional), andei por supermercados que não fazem parte de minhas rotas, procurei em mercados pela web. Nádegas, até o dia em que entrei no Festval da Manoel Ribas e, sem querer, encontrei a caixinha (lhinda, por sinal).

Comprei, abri e comi os 14 bombons no caminho entre o mercado e a minha casa. Tem até recheados de amora e damasco, coisa fina. Agora, fina mesmo foi a estratégia da firma de Cachoeiro do Itapemirim: repaginou um produto meio desprezado que passou tempos longe do mercado, meteu numa embalagem diferentona e tá cobrando algo em torno de R$ 60 pelo quilo dos bombons desprezados. Só bobo, ou gorda, pra pagar preço de Kopenhagen por chocolate de linha industrial. Eu sou ambos.

A má educação

Este post não trata do filme. Eu nem sei do que se trata o filme. Este post vai ser o começo do fim da intoxicação no meu fígado.

Ó, pai, como convivo com gente mal-educada. Graças à minha seletividade e às providências do divino, nenhuma dessas gentes está no meu círculo de relacionamentos pessoais. Elas residem no departamento profissional e atendem pelo nome de cliente. Eu não os odeio, muito menos desgosto deles (na maior parte do tempo), quero mais é que existam à profusão. Mais do que isso, queria mesmo que eles tivessem a oportunidade de voltar pra barriga de suas mães e sair de lá quase como são, só com uns opcionais a mais, conforme a lista abaixo:

– Por favor (aceitamos também por gentileza).
– Obrigado.
– Tive uma nova ideia. *explicação* Quanto vai custar?
– Li de verdade o contrato que assinei.
– Concordo de verdade com a proposta que aprovei.
– Quem decide sou eu, então não apresentarei layouts à minha esposa/marido que não entende nada do assunto.
– Me enrolei pra caralho pra entregar o conteúdo, entendo que a data de entrega será postergada.

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Quando um Pafúncio sonha, o outro abaixa as orelhas.