Buenos Aires para bebês/crianças e mais yadda yadda

Miguel internacionalizando

Já algum tempo eu e meu consorte não fazíamos uma viagem que não fosse pra praia, destino mais prático por conta de distância curta e da garantia de diversão para a prole. Estávamos com saudades de algum programa menos roots, então juntamos essa vontade com a proximidade geográfica, promessa de relevo favorável aos passeios a pé e o câmbio sorridente e nos mandamos para Buenos Aires numa aventura muito louca de cinco dias.

Viajamos com um piá de um ano e meio a tiracolo, então era certo que parte da programação deveria estar voltada à satisfação do petiz, até porque nem o mais santo dos bebês (o Miguel, no caso, é o próprio) aguenta pacificamente doze horas sentado no carrinho circulando pelas calçadas da cidade.

Minha irmã me deu um Guia Quatro Rodas de Buenos Aires que foi um companheiro ótimo, completo de dicas para programas diversos, inclusive aqueles para as crias. Não conseguimos pesquisar quase nada na web antes de ir, mas li quase todo o guia, então já sabia o que tinha pra fazer e que bateria com nossos interesses. Temos aí três programas adequados pra quem vai viajar com uma encomendinha:

A primeira atração para o piazinho que visitamos foi o Museo de Los Niños, que fica no Shopping Abasto, o maior da cidade. O shopping é bem central e, além do Museo, a visita vale a pena para conhecer a beleza e grandiosidade do antigo Mercado Municipal de Buenos Aires. Se bobear, ainda rola gastar um troco. O espaço é enorme, lindo, colorido, diversificado e encantador. Tem muuuitas atrações, desde “simuladores” pras crias brincarem de dirigir trator e avião até uma fábrica de doce de leite, em que é possível acompanhar todo o processo de preparo do produto, passando por estação de TV e rádio. Dá pra ficar muitas horas curtindo.

O Zoo de Buenos Aires é animal (rapaz, eu adoro um trocadilho ruim). Bem sinalizado, bem organizado, plano (melhor dos predicados, neste caso), limpo e com atrações espetaculares: tem urso polar, pinguim, camelo, lhama, lêmures e outra penca de bichos que nem sei como se chamam. As jaulas (não consegui achar expressão melhor, mas não me lembro de ter visto qualquer animal que estivesse literalmente enjaulado) ficam bem próximas umas das outras, coisa que poupa as pernas (eventualmente os braços também) dos pais, e são bem espaçosas. Usando fossos, vidros e outros truques, eles deram um jeito de conseguir que os animais ficassem muito acessíveis sem que nem eles, nem os visitantes, corressem riscos. Outra coisa MOITO LEGAL é que o parque vende uma ração que pode ser oferecida para os animais. Então algumas jaulas têm um “escorregador” pra criança mandar o papá lá pra dentro e, no caso de bichinhos menores e mais pacíficos, é possível alimentá-los diretamente na boca:

Miguel jura que o bisso mordeu o dedo dele, mas é mentirinha.

O city tour no ônibus double deck com jeitão de jardineira também foi um passeio que o piazinho aproveitou. Além de dar uma geral pela cidade, tomar um sol no coco no segundo andar e depois descer pra comer um potinho no ar condicionado do térreo, o Miguel adorou o serviço de narração do passeio que pode ser ouvido por fones em até 10 idiomas. Ele passou boa parte do trajeto trocando o plug dos fones de buraco e, assim, exercitando o poliglotismo.

Outro plano que conseguimos colocar em produção foi o das compras para o guri. A Avenida Córdoba, mais ou menos a partir do número 4.000, tem umas 15 ou 20 lojas, a maior parte outlets, de roupas para crianças. Além do câmbio favorável, calhou de estarmos por lá quando o comércio estava no ritmo de promoção de verão. Ueeeeepaaaaa!!!

Cheeky – roupas para bebês metidos a elegantes, adoro. Os preços não eram assim uma Brastemp, mas as roupas eram muito, muito lindas (altos tricôs e, pra variar, mil vezes mais opções para meninas). Miguel saiu de lá com uma sunga retrô, meias 3/4 de listras grossas e com uma boina/boné daquelas que meu avô usava.

Mimo & Co: a maior, mais cara e, de longe, com o pior atendimento. As roupas não tinham nada de mais, nenhuma peça me despertou desejo. Isso somado à antipatia e cara de argentina entojada da vendedora que resolveu que eu precisava de ajuda foram fatores decisivos para eu sair de lá feliz da vida, sem nada pro meu filho. Menos um dia de berço e eu teria cuspido naquela guria.

Gimos: avesso da Mimo & Co. Preços espetaculares (compramos remeras pro piá por 19 dinheirinhos), estampas diferentonas, gente sorridente e solícita ao redor. Atóron!

Grisino: outra loja de malhas lindas, muuuito coloridas e com estampas ótimas. Os preços não eram assim de grátis e a maior parte das peças eram de ponta de estoque. Ainda assim, é possível largar facilmente uns pesos por lá. Aqui também fui meio perseguida pelo vendedor, mas ele não chegou ao ponto de me irritar.

Essas foram as lojas em que compramos. Entramos em algumas outras e passamos reto por outras tantas. Impossível conciliar sacolas, mochilas, bebê, carrinho e chuva por muito tempo. Anyway, pra quem quiser se aprofundar na arte, este site aqui foi minha principal fonte.

Pequenas observações antropológicas nadavê, mas que eu preciso registrar para poder contar no boteco:

– No primeiro dia em Buenos Aires, me chamou a atenção a inexistência de gente obesa e negra. No segundo dia por lá, resolvi levantar dados: na rua desde as 9h da manhã até as 8h da noite, vi dez pessoas gordas que não estavam nem perto da obesidade mórbida. E nenhuma negra.

– Esse esquema do pessoal com tudo em cima pode estar abraçado a dois fatores que, mui perspicaz, também observei durante o passeio. Um é que a comida, em todos os restaurantes em que estivemos, vinha com pouquíssimo sal, coisa linda de se ver. E vi na porta de uma panificadora um cartaz que explicava porque agora o pãozinho vinha com menos sal e isso era bom, com toda a pinta de campanha oficial. Fator número dois: meudeusdocéu todo mundo fuma. To-do-mun-do, desde os muito jovens até os muito velhos de ambos os sexos.

– Por falar em sexo, identifiquei apenas dois rapazes com tendência ao time de cá durante nossa estadia por lá. Ou meu radar anda meio falho, ou as bee argentinas são menos pintosas.

– Nas ruas, todo mundo é igual. Vi poucos mendigos e, fora homens de terno e ladies de tailleur, todo mundo tá vestido do mesmo jeito e aparentando viver no mesmo estrato social. Me esforcei tentando identificar ricos, remediados, pobres e publicitários e não cheguei a lugar algum. Deve ser culpa da crise, mas não parece ruim.

– O Senhor esteve comigo e não vi nenhum homem usando calça saruel – dizem que é tendença entre os machos por lá.

– A praga do sapato com um pedaço de chão embaixo não atravessou a fronteira. A enooorme maioria das mulheres por lá usa tênis ou sandália, essas com pouco ou nenhum salto.

Tô feia, mas tô na moda e, finalmente, com 1,70m.

– Aparentemente, o conceito escravizador dos cabelos lisos nem resvalou nas mulheres portenhas. Por completa incapacidade oral, não conversei com nenhuma delas, mas observei que as gatas de qualquer idade são muito seguras de si, não apenas nesse aspecto. A maior parte das cabelas fica no caminho entre o ondulado e o liso, e elas prendem os fios de todo jeito – e de qualquer jeito, ou de nenhum jeito, com convicção de que estão abafando. Apoiei muito.

– A postura tô nem aiiií se estende às pestanas, coisa da qual sou obrigada a discordar. Pelo na cara de mulher tem que ser muito bem tratado. As sobrancelhas das argentinas são horrorosas. A maioria parece nem se lembrar que elas existem; a minoria que se lembra que elas existem elabora um traçado muito bizarro nos pelos. Fosse eu da área de beleza/estética, com toda a convicção da vida abriria uma barraquinha por lá e começaria um império J Sisters na base do tango.

Brasileiro é jeca

Quase dou razão às poucas caras de cu com que fomos recebidos pelo caminho por vendedores/motoristas/garçons. Raras vezes estivemos no mesmo ambiente que gente brasileira que não me fizesse sentir vontade de obrigar meu estômago a me engolir de vergonha. “Ai, que delícia, tem Císar Salad”, “Oi, só tem molho branco, não tem molho alfredo?”, nego correndo abraçar mercadoria assim que entra na loja e volta de ré com ela no colo até o guarda-volumes pra aí sim guardar sua bolsa, camiseta amarela com bandeira brasileira bordada com lantejoulas fazendo conjunto com óculos de sol de BBB e sandália com pedaço de chão grudado, gente gritando com a tripulação do voo e dizendo que “aquilo tudo era uma palhaçada” porque a aeronave apresentava problemas técnicos (entendo e solidarizo com cagaço, mas não compactuo com grosseria). Enfim, uma graça de pessoal. Não sei se turistas de outros países se conportam da mesma forma, até porque me restrinjo a observar os que são de mesma origem que eu, pra poder julgar e condenar. Gente, que vergonha.

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Tenacious D – The Pick of Destiny

O Jack Black é táo legalz, né?

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Acho que xonei nele quando vi “O Chacal”, fucking blockbuster em que o Bruce Willis interpretava o papel-título. Jack Black era um moço meio demente que fabricava alguns dos artefatos que o protagonista usava pra explodir pessoas.

Depois ele foi o balconista azedo em “Alta Fidelidade”, depois o professor mais bem legalz ever em “A Escola do Rock” e, quando achei que o rapaz tinha atingido seu ápice apresentado o Nickelodeon Kids’ Choice Awards 2006, descubro que o muito melhor estava por vir.

Tudo começou quando meu homem me mandou o link para o video abaixo:

Além de ter achado a mensagem superválida e a letra super-rica, achei também que um dos anjinhos tinha a cara do Jack Black. Antes que eu passasse (faltou pouco) vergonha publicando o vídeo aqui e comentando sobre a cara do anjo, fui pesquisar nesta web de meu deos e descobri que Tenacious D era A BANDA DO JACK BLACK. Mórri. Assim que ressuscitei, virei o Google ao avesso em busca de algum blog-link que tivesse algum disco dos caras pras me ofertar: na-da. Aí sentei na margem do Rio Piedra e chorei.

Quando minhas lágrimas já tinham secado, recebi a newsletter com os lançamentos da semana do ex-VideoUm-atual-CineVideo. Dei uma olhada nos títulos e – shazam! – deparei-me com o asqueroso título “Tenaciuos D – Uma Dupla Infernal”. No mesmo dia, passei na lujinha e trouxe o disquinho pra casa. Devidamente xerocado, ele passou quase um mês esquecido dentro de uma bolsa. Sua existência voltou-me à memória no último sábado, enquanto aguardávamos pululantes pela visita do Net Moço que instalou este Virtua massa que uso no momento.

Eu não tinha a menor idéia do que encontraria no filme – só queria a todo custo neste mundo saber como soava a banda do Jack Black. A surpresa foi comovente: além da banda ser *voz de Wander Wildner* AFUDEÃR, o filme é engraçado e surreal e ainda traz em seu cast o meu herói (além do Palhaço Alípio, do Gacel Sayah e do Lionáidas) Ben Stiller – tô sentada na mão pra não contar qual é o personagem e estragar a surpresa. E além do meu herói Ben Stiller, tem também o DIABÃO MULTIINSTRUMENTISTA Dave Grohl.

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Mórreu?

Corra lá no eMule, na locatriz ou pega aqui o meu DVD emprestado. Você também pode começar conferindo a trilha sonora que a tata mui gentilmente pendurou lá no Nunca Escutou.

Remanescentes do 11/09

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Tremi nas bases com o ensaio fotográfico que Allan Tannenbaum fez com alguns sobreviventes (trabalhadores, voluntários, vizinhos e tudo mais) do onze de setembro. O link estava no BoingBoing ontem e é, no mínimo, necessário.

“I think that the attack of 9/11 hasn’t seen the last of its victims, not even remotely. There’s going to be victims for many years to come, unfortunately.”

Sombrinha

Meu irmão pergunta se há alguma chance de obter sucesso vestido de tiozão SM rebolando e cantando uma música com letra Cartilha da Mimi:

“Você pode ficar debaixo do meu guarda-chuva
Uva, uva, uva”

***

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Ainda sobre o tema, recomendo com força aos (dois?) leitores curitibanos uma visita ao Alípio (depois do Gacel Sayah e do Leônidas, ele é meu herói) e à Sombrinha, que estão em cartaz no Teatro Regina Vogue só até este domingo. Aqui tem mais informações. Caso haja na platéia uma risada em momentos inopurtunos e dois tons acima da média, eu estou lá.

***

Só pra não perder o hábito: três vivas para a sexta-feira; te vejo no aeroporto às 22h.

Meet the Robinsons

Eu sou uma pessoa facilmente supreendível – na mesma medida em que tenho talento para a geração de neologismos. Sou vacinada apenas contra a babaquice do ser humano, que não me espanta de forma alguma. Minha cabeleira grisalha me permite identificar a algumas jardas tipos como hare-krishnas de voz mansa que têm planos gananciosos de dominação mundial. De resto, movimentos simples de gente despretensiosa costumam me fazer sorrir surpresa, ou me encantar. Talvez o nome disso seja bobeira; como não é esta a discussão, rumemos ao próximo parágrafo.

Uma das grandes mudanças que a maternidade implantou no meu cotidiano diz respeito ao meu hábito cinematográfico. Sempre tive muito tempo para ver muitos filmes descolados – esse tempo se foi no mesmo movimento que minha placenta. A partir daí, ou mal conseguia uns minutos pra escovar os dentes, ou estava sentada assistindo à décima (não é brincadeira, não) sessão de “A Hora do Recreio” – deste um, minha filha decorou mais de 70% das falas (excelente trilha sonora, por sinal). Só assim para que fosse reaberto o horizonte do cinema infantil na minha vida, que tinha se anuviado lá pelos idos de 1982, quando fui conferir os Aristogatas no Cine Lido. Mas esse também não é o tema; desçamos agora ao seu encontro.

Boa parte da produção cinematográfica-televisiva destinada às crianças é sinistra – assim como acontecia quando você e eu éramos do tamanho de um botão. Hoje, a proporção entre o bom e o ruim se mantém; entretanto, como a concorrência aumentou um montão, existe moooooita coisa inteligente, bem sacada e divertida no mundo da petizada. Além dos impagáveis Rugrats, Save-Ums, Shreks e afins – pausa dramática – existe A FAMILIA DO FUTURO.

Calaro que você vai querer conferir o filminho depois dos bugalhos que estou plantando. Portanto, não contarei nada que não possa ser descoberto na leitura de qualquer resenha de caixinha de gelatina. O básico, que é apenas o que você precisa saber pra sair correndo atrás do desenho na maior animação, é que ele é SURPREENDENTE. É tão, mas tãaaaaaaaao surpreendente, que gerou aquele clichê ‘filha olhando pra mãe e mãe olhando pra filha na hora do ápice com as bocas abertas’. Desenho animado engraçadinho já não é novidade nessa praia; roteiros bem-sacados e originais é que precisavam estabelecer seu lugar ao sol. E é aí que montou acampamento A Família do Futuro.

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Oi, eu sou a Lizzy e você precisa me amar.

O fato de o personagem principal ser muito NERDZ e ter a coleguinha weirda mais bacana ever podem ter influenciado um pouco minha impressão, mas devem ser somados a isso os cenários magníficos, o avô mais carismático desde a Fantástica Fábrica de Chocolates e a cerejosa trilha sonora de Danny Elfman. Vem comigo, Pederneiras, e surpreenda-se.

PS: leitor anônimo avisa que digitadora desatenciosa comeu bola: o desenho está nos CINEMAS, pôrra.