Os Bálcãs, o Cáucaso ou qualquer outro lugar em que a música seja boa

Tenho uma coisa com o leste europeu. Ela começou em mim em 1996, quando assisti Underground, o filme do sérvio Emir Kusturica com trilha sonora do bósnio Goran Bregovic. Coisa mais doida, aquela gente desgraçada, o tempo todo metida em encrenca, se debatendo pra desenvolver alguma identidade calcada no civismo, mentira, baderna, putaria, ditadura e aquela banda insana cheia de instrumentos aparentemente incompatíveis tocando nos melhores e nos piores momentos e em todos os outros momentos.

Tem também Montenegro, esse lugar sinistro em que vc pega uma praia enquanto observa montes nevados logo ali da paisagem.

Piro muito. É tudo completamente encantador – acho isso daqui da minha cadeira, ainda não conferi pessoalmente. Só perde pro Afeganistão no meu imaginário viajante; pensando bem, acho que o Afeganistão já foi ultrapassado.  Nunca ouvi música afegã, não acredito que ela possa mexer mais comigo do que o festival melódico de trompete, cravo, violino, pianinho, coros de voz aguda, hey-heys e outros muitos instrumentos que não sei reconhecer, mas que me aquecem a alma e, com isso, conferem à música desse pessoal a posição de quase preferida no meu Winamp.

Quase porque eu sou do rock desde o dia em que o tio Carlinhos me deu o Born in the USA na mesma pilha que o Money For Nothing e o IV do Led Zeppelin. Tio Carlinhos = Penny Lane. Desde esse tempo, eu sabia que o rock não desgrudaria de mim. Me permiti algumas poucas vergonhas relacionadas aos meus hábitos musicais desde então, mas nada ameaçou me demover desse norte inquestionável que, entre outras coisas menos mágicas, me apresentou ao meu amado Subterfúgico. (Aqui eu faria uma anotação sobre aquele 22 de novembro de 1996 – 1996, que ano!, o Tijolaço no gramado do Centro Politécnico, João cabeludo de camisa de flanela, etc, etc, etc).

Mas houve um dia em meados dos anos 60 em que Dona Armênia resolveu invadir os EUA, berço do meu ritmo predileto. Se você não tem idade suficiente para saber quem é Dona Armênia, ou se andou maltratando suas sinapses durantes os últimos vinte anos, toma:

Dona Armênia fincou raízes na Califórnia, viveu a vida sobre as ondas, foi ser artista de cinema. Lá, frutificou quatro filhinhas – esqueça Gerson Brenner, Marcelo Novaes e Jandir Ferrari (o horror: não precisei do Google pra lembrar). Os quatro rapazes eram fãs de rock, mas não conseguiam se livrar das influências da mamãe em nenhum momento, mesmo quando estavam possuídos pelo espírito do mal do metal.

Serj Tankian , o band leader, tem essa coisa encapetada em si. Além das dancinhas sexy no palco, outras de suas diabruras podem ser conferidas nos episódios da sitcom Seinfeld – ele dá vida ao personagem Cosmo Kramer.

O resultado dessa queda pelo rock somado à interferência cultural materna fez as quatro filhinhas despontarem como uma banda sui generis (nenhuma relação com Charly Garcia), inconfudível de verdade, capaz de mesclar a riqueza melódica da música cigana com os arrepios de uma guitarra de metal fodida (desculpa, eu pensei em escrever irada, seria pior), sintetizadores do mal e um vocal com tendência lírica, além de ter o apanhado de letras mais desparceirado dessa vida. Lendo essa descrição, eu riria, desmaiaria de preguiça (discurso políticozzzzzz…) e pensaria “fuja, lôca”. Ainda bem que não li: me mandaram por e-mail um mp3 em 2005 (Gafa: saudades e gratidão eterna). E eu morri muito e jurei que seria a banda que eu não perderia ao vivo nem por conta da minha idade avançada, fosse quando fosse ou onde fosse. Simpatia quase amor automática.

Fato é que não perdi. As filhinhas estiveram no Brasil na semana passada. Eu fui. Nada mais será igual. Já assisti o vídeo abaixo quatro vezes desde segunda-feira. Muitos arrepios a cada play.

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Tenacious D – The Pick of Destiny

O Jack Black é táo legalz, né?

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Acho que xonei nele quando vi “O Chacal”, fucking blockbuster em que o Bruce Willis interpretava o papel-título. Jack Black era um moço meio demente que fabricava alguns dos artefatos que o protagonista usava pra explodir pessoas.

Depois ele foi o balconista azedo em “Alta Fidelidade”, depois o professor mais bem legalz ever em “A Escola do Rock” e, quando achei que o rapaz tinha atingido seu ápice apresentado o Nickelodeon Kids’ Choice Awards 2006, descubro que o muito melhor estava por vir.

Tudo começou quando meu homem me mandou o link para o video abaixo:

Além de ter achado a mensagem superválida e a letra super-rica, achei também que um dos anjinhos tinha a cara do Jack Black. Antes que eu passasse (faltou pouco) vergonha publicando o vídeo aqui e comentando sobre a cara do anjo, fui pesquisar nesta web de meu deos e descobri que Tenacious D era A BANDA DO JACK BLACK. Mórri. Assim que ressuscitei, virei o Google ao avesso em busca de algum blog-link que tivesse algum disco dos caras pras me ofertar: na-da. Aí sentei na margem do Rio Piedra e chorei.

Quando minhas lágrimas já tinham secado, recebi a newsletter com os lançamentos da semana do ex-VideoUm-atual-CineVideo. Dei uma olhada nos títulos e – shazam! – deparei-me com o asqueroso título “Tenaciuos D – Uma Dupla Infernal”. No mesmo dia, passei na lujinha e trouxe o disquinho pra casa. Devidamente xerocado, ele passou quase um mês esquecido dentro de uma bolsa. Sua existência voltou-me à memória no último sábado, enquanto aguardávamos pululantes pela visita do Net Moço que instalou este Virtua massa que uso no momento.

Eu não tinha a menor idéia do que encontraria no filme – só queria a todo custo neste mundo saber como soava a banda do Jack Black. A surpresa foi comovente: além da banda ser *voz de Wander Wildner* AFUDEÃR, o filme é engraçado e surreal e ainda traz em seu cast o meu herói (além do Palhaço Alípio, do Gacel Sayah e do Lionáidas) Ben Stiller – tô sentada na mão pra não contar qual é o personagem e estragar a surpresa. E além do meu herói Ben Stiller, tem também o DIABÃO MULTIINSTRUMENTISTA Dave Grohl.

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Mórreu?

Corra lá no eMule, na locatriz ou pega aqui o meu DVD emprestado. Você também pode começar conferindo a trilha sonora que a tata mui gentilmente pendurou lá no Nunca Escutou.

Assunto: Au!

Rafael Gaino to me – 10:57 am (6 hours ago)

Você vai me odiar por isso, mas ouve esse som. É metal, eu sei. O cantor fode uma banda que seria muito fodona, mas nessa canção ele até que está bem machão.

A banda é um relógio suíço. Eu fui no show desse disco décadas atrás em Santo André. Tinha roda de pogação, mosh e tudo mais. Metal de branco, mas metal.

Ouve, e pode dizer que me odeia, porra.

Attached file: Dream Theater – 6-00.mp3

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Carla to Rafael – 2:46 pm (2½ hours ago)

Deus do céu, tô aqui ouvindo pela segunda vez pra ver se consigo alcançar qual foi a motivação te levou a me fazer passar por isso. Eu gosto de Lulu, pôrra!

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Carla to Rafael – 2:47 pm (2½ hours ago)

Haha, faltou contar que, há uns 12 anos, eu sofri um assédio sexual nesta linha: um gato vinha me fatiando com os olhos no busão. Desci, ele desceu no mesmo ponto. Apertou o passo, me alcançou e disse “Daê, gata, tá afins de ir no show do Angra comigo hoje?”

Francamente.”

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Rafael Gaino to me – 2:49 pm (2 hours ago)

BWHUAHUA.

Posta essa.

Perdão, mas eu gosto. Todo Gianechini gosta de uma Gabi.

:*