Banho de gasolina

ISSO É MUITO SÉRIO.

Fui abastecer meu carro ontem. Parei do lado da bomba e fiquei olhando para o além, como toda mulher faz (homem gosta de descer do carro, né?). Pois bem. Passou um tempo, me apareceu um frentista “Duhhh, a bomba escapou.” Pensei com meus botões: “Beleza. Deu aquela babada na boca do tanque, o tio vai passar um paninho.” Aí que ele pegou aquele trapo xexelento que usam pra limpa parabrisas e começou a esfregar em toda a lateral do carro, teto e capô. Eu permaneci do meu assento, pensando no quanto estava atrasada e no volume sinistro de coisas que tinha pra fazer. Ele acabou de esfregar o pano, me deu a chave, vazei.

Hoje cedo cheguei na garagem e olhei pro capô, altos respingos de cor fosca. Cuspi, esfreguei, não saiu. O mesmo no bagageiro e no teto. Fui no posto, pedi o gerente, não tinha chegado, liguei há pouco, ele foi atencioso e disse que vai mandar polir meu carro “pra ver se sai” (mandei polir o carro há 20 dias, depois de já ter jurado pro Senhor que não colocaria mais nenhum centavo na aparência dele enquanto a minha vaga na garagem do edifício continuasse sendo a que é. Deus castiga).

O que eu aprendi com isso?

1. Deus castiga.
2. Gasolina mancha.
3. Descer do carro enquanto ele é abastecido não serve só pra dar uma desamassada no saco.

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Da arte de transformar grafite em diamante

Quem não se lembra do tempo em que só existia caixa de bombons Garoto e que ela pesava generosos 500g tá perdendo tempo aqui neste blog de vó.

Pois bem. Os bombons eram praticamente os mesmos que vêm nessa caixinha mirrada atual: Alô Doçura, Opereta, Serenata de Amor, Crocante, Caribe e assim por diante. Além desses, a caixa também trazia os “Heróis da Resistência”, aqueles bombons que permaneciam lá dentro por dias e dias depois de deflagrado o início dos trabalhos de comilança: os detestados bombons de frutas. Banana, Ameixa, Abacaxi.

Normal era deixar esses sabores exóticos na caixa, esquisita era a criança que gostava deles.Eu era uma criança esquisita: coisa mais sem graça da vida bombom de chocolate só com chocolate, curtia mesmo um azedinho de fruta dentro. E curto até hoje, tanto que grunhi de alegria quando, no começo do ano, a Garoto anunciou a volta dos bombons de frutas com novos sabores e numa embalagem só para eles.

Só eu sei quanto sofri pra achar essa parada aqui no interior. Mandei e-mails pra Garoto (que duas vezes respondeu sem esclarecer minha dúvida, sensacional), andei por supermercados que não fazem parte de minhas rotas, procurei em mercados pela web. Nádegas, até o dia em que entrei no Festval da Manoel Ribas e, sem querer, encontrei a caixinha (lhinda, por sinal).

Comprei, abri e comi os 14 bombons no caminho entre o mercado e a minha casa. Tem até recheados de amora e damasco, coisa fina. Agora, fina mesmo foi a estratégia da firma de Cachoeiro do Itapemirim: repaginou um produto meio desprezado que passou tempos longe do mercado, meteu numa embalagem diferentona e tá cobrando algo em torno de R$ 60 pelo quilo dos bombons desprezados. Só bobo, ou gorda, pra pagar preço de Kopenhagen por chocolate de linha industrial. Eu sou ambos.

Tudo tão confuso nesta vida, né?

Nunca houve nem haverá post enquadrado em tantas categorias, tão cheio de links e mais confuso entre assuntos. Adorei; vou começar.

***

Esses dias uma freguesa me mandou o briefing mais completo, detalhado e esmiuçado do mundo para que eu pudesse começar a pensar num site para a firma dela. Com o briefing, seguia uma resenha do livro Blue Ocean Strategy. Ainda comovida pela visão do briefing perfeito, li, reli e trili a resenha e, para regozijo dos escritores, fui convencida que precisaria de um de seus exemplares pra viver. Encomendei um pra mim e a firma me deu. É o meu atual livro da bolsa.

Um dos cases mais encantadores abordados pelos autores trata do mercado de vinhos nos EUA, um país sem nenhum hábito de consumo da bebida e com um imenso e inquestionável potencial de mercado. Os americanos consideram o vinho uma bebida esnobe, muito parecida entre si, de sabor desagradável em comparação com outros alcoólicos e relativamente caro. Até que a Casella Wines desbravou um grandioso Oceano Azul e concebeu o [yellow tail]. E o tal do rabo de galo amarelo popularizou o gosto pela bebida mudando a cara sisuda das garrafas, o apelo da propaganda, o preço e o sabor dos vinhos e oferecendo treinamento específico e outros agrados aos revendedores da bebida. Foi pura magia e sucesso instantâneo, segundo relato presencial da minha agente infiltrada, enóloga meio-período, muambeira do coração e comadre honorária.

Aí, ontem, mudando completamente de tema do post, eu resolvi fazer pro meu amigo Maurício uma pergunta que envolvia um amigo dele (que tinha a melhor profissão do mundo antes de eu conhecer o COOL HUNTING) e um blogueiro dos mais notáveis da atualidade – eu não me esqueci de botar os links; apenas irei manter sob sigilo a identidade dos envolvidos. Já não me lembro mais como (atenção: não se deixe encantar pelos R$ 12,00 das garrafas de vinho argentino; na segunda taça, você já está suficientemente longe da sua consciência a ponto de meter sem dó um parêntese quilométrico e desnecessário no meio do seu texto), fomos parar no pessoal da Box 1824, cuja existência eu desconhecia e passei a invejar no exato instante em que conheci. A razão de ser da firma deles é o COOL HUNTING. Vai dizer que precisa dizer mais? Vai dizer que não cobiçou também?

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Calaro que o gato barbudo de dedo enoooolme chama-se João. (L)

Bão. Inspirada pelo COOL HUNTING citado pelo Maurice, me lembrei de um dos mais imperdíveis sites desta web de meu gsus: The Cool Hunter. Cheia de prazos a cumprir e com o choro engasgado por causa de um cliente escroto, arrumei tempo pra resgatar esse link há muito perdido em minha memória e, quando cliquei lá, SHAZAM!: me aparece o [yellow tail] nadando de braçadas em mais um incomensuráaaaaaaavel oceano azul (trocadalho irresistível): o Wine That Loves. Agora, as pessoas serão coagidas a acreditar que existe mesmo o vinho certo para o frango, para a carne, para o peixe, para a massa e para qualquer outro acepipe. Como os mortais não entendem nada do assunto mesmo, que outra opção resta a eles que não aceitar? Putaqueospa: será que, ao final da minha leitura, eu também serei uma Jacques Cousteau dos oceanos azuis? Será que eles me contratam como cheerleader da marca depois dessa puxação forte de ovos?

Enfim. Tudo isso serve pra mostrar que, como diz o Mago, nada é por acaso. Casella Wines, me aguarde. Nem que seja apenas pra eu acordar abraçada à garrafa.

O mago

Morri de ansiedade louca pela estréia do Mago no G1. Quando finalmente estreou, o blog estava todo capenga, sem links pros arquivos ou pros post. Agora, que ele continua capenga mas tem link pros arquivos (que são retardadamente diários), vou poder começar a série que tanto queria: os posts serão arquivados sob a catigoria Moral da História.

Brevíssima história da medicina

500 D.C. – Venha até aqui, e coma esta raiz.
1.000 D.C. – Esta raiz é coisa de ateu, faça esta oração ao Deus que está no céu.
1.792 D.C. – O Deus não está no céu, quem reina é a razão. Venha até aqui, e beba esta poção.
1.917 D.C – Esta poção é para enganar o oprimido, sugiro que você tome este comprimido.
1.960 D.C. – Este comprimido é antigo e exótico. Chegou o momento de tomar antibiótico.
1.998 D.C. – Antibiótico te deixa fraco e infeliz. Eis um novo tratamento: coma esta raiz.”

***

Disso conclui-se que: o homem está retrocedendo, lógico. E que o Mago precisa de uma ajuda pra rimar. Eu sugiro “Esta raiz é coisa de ateu, faça esta oração e pega aqui no meu”.

UPDATE: a new face Layze vai ler “O Alquimista” durante a espera pro casting.