Elefante supera dependência de heroína após tratamento com metadona

Da surrupiada série ‘pra que escrever’?

Folha Online – Bichos – 30/08/2007 – 11h24
da Efe, em Pequim

Um elefante superou sua dependência em heroína com um tratamento para humanos à base de metadona, informou o jornal estatal “China Daily”.

O animal, chamado Big Brother, vivia na província de Yunnan, no sul da China, onde traficantes de elefantes começaram a alimentá-lo com bananas que continham heroína para obrigá-lo a guiar a manada ao local onde venderiam os animais ilegalmente.

A dependência se tornou tão forte que o elefante babava e rugia quando não recebia uma dose da droga.

Os traficantes conseguiram fazer com que ele guiasse a manada até a floresta onde pretendiam vender todos os animais, mas foram detidos pela polícia florestal.

Após ser resgatado, o elefante começou a sofrer síndrome de abstinência, e, como não conseguia superar a crise, os cuidadores optaram por realizar um tratamento à base de metadona.

Durante sua reabilitação, que durou um ano, o animal seguiu uma rígida dieta à base de ervas frescas, cana-de-açúcar e frutas, além de receber massagens e banhos freqüentes.

O elefante, já recuperado, voltará em breve à floresta, segundo seus cuidadores.

Amêndoa – um relato erótico

Lá em 2004, quando “Amêndoa” foi lançado, me lembro de ter sentido um cisco de curiosidade sobre o livro, mas fiz com ele o que faço com boa parte dos meus implusos literário-consumistas: coloquei na estante, sobre uma das diversas pilhas de não-lidos que armazeno no mesmo lugar, e deixei passar.

Passeando pelo sebo no começo deste ano, em busca de um exemplar do livro que mais me fez chorar nesta vida, com o qual queria amaldiçoar a vida de uma amiga do coração, que lá encontrei, fui seduzida por inúmeros outros, que se tem uma coisa legal pra se fazer nessa terra de Coré-Etuba é passear em sebo. Enfim: muitos piscaram, apenas “Amêndoa”, aquele lá do parágrafo anterior, acabou indo pra casa comigo. Vamos falar: todo esse vermelho encerado, cheio de reentrâncias e saliências mereceu.

Há uns dois meses estou com o aparelho leitor engatado num livro de planejamento estratégico que foi muito interessante no começo, mas que agora está naquela fase em que chegam todos os livros relacionados a marketing, que consiste em repetir-se à exaustão usando expressões similares em parágrafos parecidos. Pois bem: arrumando a bagagem para o tradicional embarque quinzenal rumo a SP, olhei pro “Amêndoa” lá na mesma pilha em que foi alocado em janeiro, todo-todo. Coloquei-o na bolsa – funcionaria como uma boa desculpa pra empurrar o Oceano Azul com a barriga por pelo menos 444 km.

Acabei lendo o livro durante viagem de ida, tão leve e envolvente é o causo relatado por Nedjma. “Amêndoa” é prosa verídica sobre o um período da vida de uma marroquina do interior que, cansada do tradicional casamento arrajando imposto pela religião muçulmana em seu país, se pirulita às escondidas para Tânger, em meio ao fervor econômico-cultural que a cidade experimentava nos anos 60. Lá, depois dos traumas que sofreu durante o matrimônio, descobre sua sexualidade com um genuíno dândi. Que espetáculo!

O relato pode ser classificado como erótico, mas passa longe do pornográfico. Por vezes chega a ser engraçado, que o garanhão que apresenta as moças às delícias de cama, mesa e banho tem um humor que oscila entre o fino e o parvo. O outro lado da história choca um pouquinho: ainda que aparentemente distante das barbaridades cometidas em nome da religião contra as mulheres que descobri aqui, dá pra ficar boquiaberta algumas vezes com o que se passa com elas também no Marrocos, terra sobre a qual a minha única imersão aconteceu em 1986, num trabalho dedicado em dupla com a Delta Universal, que entreguei em papel almaço para a Tia Raquel.

Mesmo sendo ele bem limpinho, a capa chamarenta do livro e o subtítulo “um relato erótico” é uma excelente arma para chocar os outros passageiros que viajam na mesma condução. Recomendo.

Tudo tão confuso nesta vida, né?

Nunca houve nem haverá post enquadrado em tantas categorias, tão cheio de links e mais confuso entre assuntos. Adorei; vou começar.

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Esses dias uma freguesa me mandou o briefing mais completo, detalhado e esmiuçado do mundo para que eu pudesse começar a pensar num site para a firma dela. Com o briefing, seguia uma resenha do livro Blue Ocean Strategy. Ainda comovida pela visão do briefing perfeito, li, reli e trili a resenha e, para regozijo dos escritores, fui convencida que precisaria de um de seus exemplares pra viver. Encomendei um pra mim e a firma me deu. É o meu atual livro da bolsa.

Um dos cases mais encantadores abordados pelos autores trata do mercado de vinhos nos EUA, um país sem nenhum hábito de consumo da bebida e com um imenso e inquestionável potencial de mercado. Os americanos consideram o vinho uma bebida esnobe, muito parecida entre si, de sabor desagradável em comparação com outros alcoólicos e relativamente caro. Até que a Casella Wines desbravou um grandioso Oceano Azul e concebeu o [yellow tail]. E o tal do rabo de galo amarelo popularizou o gosto pela bebida mudando a cara sisuda das garrafas, o apelo da propaganda, o preço e o sabor dos vinhos e oferecendo treinamento específico e outros agrados aos revendedores da bebida. Foi pura magia e sucesso instantâneo, segundo relato presencial da minha agente infiltrada, enóloga meio-período, muambeira do coração e comadre honorária.

Aí, ontem, mudando completamente de tema do post, eu resolvi fazer pro meu amigo Maurício uma pergunta que envolvia um amigo dele (que tinha a melhor profissão do mundo antes de eu conhecer o COOL HUNTING) e um blogueiro dos mais notáveis da atualidade – eu não me esqueci de botar os links; apenas irei manter sob sigilo a identidade dos envolvidos. Já não me lembro mais como (atenção: não se deixe encantar pelos R$ 12,00 das garrafas de vinho argentino; na segunda taça, você já está suficientemente longe da sua consciência a ponto de meter sem dó um parêntese quilométrico e desnecessário no meio do seu texto), fomos parar no pessoal da Box 1824, cuja existência eu desconhecia e passei a invejar no exato instante em que conheci. A razão de ser da firma deles é o COOL HUNTING. Vai dizer que precisa dizer mais? Vai dizer que não cobiçou também?

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Calaro que o gato barbudo de dedo enoooolme chama-se João. (L)

Bão. Inspirada pelo COOL HUNTING citado pelo Maurice, me lembrei de um dos mais imperdíveis sites desta web de meu gsus: The Cool Hunter. Cheia de prazos a cumprir e com o choro engasgado por causa de um cliente escroto, arrumei tempo pra resgatar esse link há muito perdido em minha memória e, quando cliquei lá, SHAZAM!: me aparece o [yellow tail] nadando de braçadas em mais um incomensuráaaaaaaavel oceano azul (trocadalho irresistível): o Wine That Loves. Agora, as pessoas serão coagidas a acreditar que existe mesmo o vinho certo para o frango, para a carne, para o peixe, para a massa e para qualquer outro acepipe. Como os mortais não entendem nada do assunto mesmo, que outra opção resta a eles que não aceitar? Putaqueospa: será que, ao final da minha leitura, eu também serei uma Jacques Cousteau dos oceanos azuis? Será que eles me contratam como cheerleader da marca depois dessa puxação forte de ovos?

Enfim. Tudo isso serve pra mostrar que, como diz o Mago, nada é por acaso. Casella Wines, me aguarde. Nem que seja apenas pra eu acordar abraçada à garrafa.

Se houver amanhã

Quando li que o Sidney Sheldon morreu me lembrei que foi um livro dele o culpado pela minha autoproclamada introdução à literatura adulta. Fiquei me achando uma mulher muito madura quando minha tia me emprestou um livro “muito bom”, lá em 1986. Li “Se Houver Amanhã” em duas sentadas e me recordo de ter ficado absolutamente encantada com a forma como o escritor conseguia envolver o leitor com a trama – coisa que não é muito característica de livros infanto-juvenis (se bem que o livro que estou lendo com minha filha atualmente é MASTER nesse quesito). Xonei, li mais uns três dele depois.

Sidney Sheldon foi muito pai de um estilo, assim como Danielle Steel – acho que todo mundo que se interessou por literatura nesta vida resvalou em algum dos dois no começo do percurso; há inclusive quem tenha estacionado neles: minha tia, por exemplo. Como tem um montão de livros que li no ano passado que com certeza sumiram da minha memória, seu Sidney merece meu respeito: lá se vão, ahm, 20 anos, e eu ainda me lembro. Tomara que ele vire show pirotécnico, igual Hunter Thompson.