Rio Quente Resorts – vem brincar com a gente!

Eu AMO resorts. Eu amo hotéis, também. Na verdade, amo qualquer lugar em que preparem minha comida, faxinem minha morada e me permitam fazer nada durante uns dias. O Rio Quente Resorts brilha muito na minha lista dos lugares mais amoráveis que conheço para passar esses dias de far niente. Tem sol, tem água quente, tem drinks e tem altas aventuras a serem exploradas. Vem comigo, Pederneiras:

QQ É ISSO?

É um complexo de hospedagem e diversão que fica em Goiás, a umas duas horas de Goiânia. Dá pra chegar quase lá de avião (há um aeroporto a 20km dali), mas você também pode ir de carro (amo!) ou de ônibus (minha opção, já que adoro um DVD do André Rieu em loop e me divirto com as pedras do bingo caindo tudo nas freadas). Partindo de Curitiba em slow motion, a viagem durou 18 horas.

QUEM VAI:

Vai todo mundo e isso é muito louco. Ao mesmo tempo em que uns ônibus despencam o pessoal da ~melhor idade~ na recepção, também chegam excursões de formatura do ensino fundamental e do médio, que se misturam às famílias com pelo menos duas crianças pequenas. Dependendo do seu perfil, você vai encontrar todas ou nenhuma dessas pessoas durante os dias – o lugar é gigantesco e tem atrações pra entreter todo mundo. Isso inclui um “Toldão Sertanejo”, hidroginástica com sensualização na piscina, sauna, etc. Falarei mais sobre esse tema adiante.

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Sexy sem ser vulgar, ~bar molhado~ ao fundo.

COMER, BEBER, VIVER:

Come-se muito bem. De manhã, o café tem aquela coisarada tradicional de pães (melhor pão de queijo que já provei na vida), bolos, frutas, frios e, para os mais fortes, ovos, salsicha, linguiça. E sempre tinha uma atração mais exótica: omelete, tapioca, mingau de aveia (?!).  No almoço, a comida é meio caseira delícia (tendo como referência minha casa): arroz, feijão, carnes, massas, legumes, alguma coisa típica de Goiás, legumes, etc. Quem brilha muito é o buffet de sobremesas: teve dias em que me servi duas, três vezes. Três quilos depois, estou meio arrependida, mas na hora foi sensacional.

IMG_0461Dois pratinhos de sobremesa e duas frutas, rumo aos três dígitos na balança.

Café da manhã e almoço estão incluídos no valor das diárias. Para o jantar, o resort mantém o restaurante do almoço aberto (a comida é bem parecida com a da manhã), e oferece também outras opções em points variados em sua própria estrutura: pizzaria, Bar Brahma, café (que serve sopas, panquecas e outros lanches). Dá pra gastar bastante grana, mas não dá pra passar fome. Comi de tudo, achei a sopa a opção mais vantajosa sob o ponto de vista de grana e da balança. 

ATRAÇÕES:

Com ou sem emoção, todo mundo se diverte. Tem muita, muita coisa mesmo pra fazer. Desde ficar de molho nas piscinas comuns (cujo fundo é de saibro e é possível ver a água quente brotando do chão, uma loucura!), que ficam mais próximas do hotel ou curtir uma praia de água doce com ondas e areia até se aventurar ou relaxar em outros picos: rolê de bike, spa, parque das aves, academia, tirolesa, mergulho, tobogãs, boias, caiaque, duchas, sauna, brinquedos infantis, etc. Cansei só de lembrar.

IMG_7292Uma pequena mão brotou das minhas costas durante o passeio de caiaque.
O RIO É QUENTE e cheios de peixes bem grandões! 

Enquanto pessoa destemida pero no mucho, recomendo todos os tobogãs (my inner child não resiste :~), o caiaque e a tirolesa. Nesta última, performei a contento e adorei o susto inicial. Confira minha performance:

TIP: Aprendi empiricamente vestindo um maiô frente única que é melhor realizar essa atividade usando um top, camiseta ou qualquer peça de roupa que mantenha seus balagandãs superiores protegidos do sorriso maroto do rapazinho que te aguarda no final da descida. #ficaadica

IMG_0061Vulgar sem ser sexy descendo o tobogã.

Minha filha Ana, gatinha destemida, aventurou-se no XPirado, a mais recente e mais radical atração do Hot Park: um tobogã de 32m de altura que pode fazer seu corpo alcançar até 40 km/h na descida. Neste vídeo, temos o relato de uma frequentadora que conta que “é bom, mas bate muito a bunda”. Vai do seu conceito de bom, né? Minha filha disse que, nas duas vezes em que desceu o escorregador, sentiu incremento de seus movimentos peristálticos intestinais. Um brinquedo, muitas funções.

TOU GORDA, NÃO DEPILEI, ETC, ETC:

Senso crítico não é lá produto na prateleira de promoção pelos supermercados do interior desse Braseel. Meninas, mulheres, senhoras, vovós: vi de tudo no que diz respeito a condição física e indumentária, desde gente fina e elegante até fio dental que precisaria ser removido com pinça cirúrgica do respectivo popozão XL. Sensacional, gente solta e à vontade. Vou dizer o quê? Digo que vc deve ser como eu: liga o modo Luka, comporte-se e vista-se sendo quem vc é que tudo estará bem. Aproveite a sua viagem e pare de cuidar da vida alheia BJOOOOO.

IMG_7383Desculpa: comprei uma caixa estanque pro meu ipônei e ahazzei nos autorretratos subaquáticos.

ESTADO CIVIL:

O Rio Quente Resorts com certeza pode abrigar desde as senhôras com seus filhos (eu, obg) e os adôles em plena efervescência hormonal até os jovens adultos à procura e as vovós viúvas que só querem saber de dançar com os tios da recreação no Toldão Sertanejo. Minha impressão é que seus desejos podem ser atendidos independentemente de suas intenções. Não é exatamente o lugar pra onde eu iria no caso de estar em busca de um paparico, mas acredito que paparicos nascem de onde menos se espera. Concluindo: não garanto, mas pode ser.

VAI?

Me leve junto, pfv. Eu voltaria mis vezes. No caso de abrir mão da minha companhia, pode falar comigo para mais informações. Ou então procure direto quem fala sério sobre o assunto: www.rioquenteresorts.com.br ou https://www.facebook.com/rioquenteresorts

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Eu estava esperando justamente por este momento

Não consigo pensar numa iniciativa mais contraproducente para um tímido do que obrigá-lo a ter aulas de teatro. Passei por isso durante os anos 80, no famoso metrô do Colégio Bom Jesus – Centro. Especificamente, aconteceu em 1986. Foi um ano ruim da minha infância, tudo meio bagunçado em casa. Aí eu ia pra escola pra desbaratinar. Lá me incomodavam porque eu era magrela, comprida, orelhuda e dentuça. Fiz todo o esforço possível para me tornar invísivel (ou gostosa – neste, não sucedi) e o colégio me ajudou a conseguir exatamente o contrário. O professor de teatro era Armando Maranhão. Um cara carismático, bem-intencionado, alegre, quase sempre usando grava borboleta. Eu até que gostava dele. Talvez fosse mais uma invejinha branca do que um gostar. Todo aquele desembaraço e autoconfiança, mesmo sendo uma figura muito excêntrica de 1,50m e orelhas de um palmo. Sair da redoma parecia possível, afinal, ainda que não fosse exatamente o meu desejo naqueles tempos.

Armando Maranhão encara o futuro enquanto todos se atêm ao passado.

Pois bem. Não me lembro qual era a periodicidade das aulas de teatro, não tenho certeza se duraram o ano todo. Mas guardo com clareza o momento em que o professor explicou qual seria nossa primeira atividade: decorar um texto e declamá-lo sobre o tablado, com toda a turma na plateia, encarnando emoções diversas: tristeza, medo, alegria, euforia, etc.

Pavor. Semaaaaanas e semanas de pavor até que chegasse a data da minha performance. As apresentações aconteceram “por ordem de chamada”. Nos longínquos 80s, os meninos vinham antes das meninas, mas eu seria uma das primeiras meninas porque meu nome começa com C, e não com K (única vez na vida em que achei vi alguma vantagem no K). Quatro ou cinco participações por aula. Em cinco/seis semanas eu estaria sob os holofotes. Sangue, suor e lágrimas.

Chegou o dia. Não me lembro de nada (vaias, observações, bolinhas de papel, suadeira, etc). Nada. NADA exceto o texto que me esbofeta a memória cada vez que leio Maranhão, cuja conclusão se encaixa com sordidez no que passei durante aqueles tempos:

“O relógio bateu doze pancadas.
É meia noite.
Eu estava esperando justamente por esse momento:
Diga, repita – eu mereço isso?
Mereço? “

Briga de punhais sem fio

Mais um tungado de mim mesma, do saudoso 7etc. Eu era meio baba, certeza que a culpa era das saudades do meu amor:

Livre-se agora desses óculos.

Não me interessa nada que esteja gravado nas tuas pupilas, pois isso é o que está à minha volta. Importam-me sim as coisas que vêm estampadas na tua alma, que você (pensa que) esconde enquanto se traveste com as lentes escuras. Vejo além do teu ar blasé; me interessam sobretudo os pormenores que você esconde na raiz dos cílios, incrustrados entre pêlos. Repito:

Livre-se agora da pôrra dos óculos escuros.

Arranco tuas lentes com meus dentes, pois teus gemidos me contaram que é assim que você gosta. Nem a estúpida cortina de fumaça instalada à tua volta anuvia a realidade: as portas da Rua Percepção se abrem quando meus dedos atravessam teus limites e se instalam entre seus entes mais queridos. Nada do que você pensa que esconde está fora do meu alcance: em minha mão espalmada, cabem teus segredos mais íntimos.

Pronto. Suma agora com esses óculos daqui, porque nada do que você tem cabe atrás deles e eles não projetam nada do que te falta. O que te convém está protegido em lugar seguro. Mas trata de te manter longe da senhora das chaves.

Os Bálcãs, o Cáucaso ou qualquer outro lugar em que a música seja boa

Tenho uma coisa com o leste europeu. Ela começou em mim em 1996, quando assisti Underground, o filme do sérvio Emir Kusturica com trilha sonora do bósnio Goran Bregovic. Coisa mais doida, aquela gente desgraçada, o tempo todo metida em encrenca, se debatendo pra desenvolver alguma identidade calcada no civismo, mentira, baderna, putaria, ditadura e aquela banda insana cheia de instrumentos aparentemente incompatíveis tocando nos melhores e nos piores momentos e em todos os outros momentos.

Tem também Montenegro, esse lugar sinistro em que vc pega uma praia enquanto observa montes nevados logo ali da paisagem.

Piro muito. É tudo completamente encantador – acho isso daqui da minha cadeira, ainda não conferi pessoalmente. Só perde pro Afeganistão no meu imaginário viajante; pensando bem, acho que o Afeganistão já foi ultrapassado.  Nunca ouvi música afegã, não acredito que ela possa mexer mais comigo do que o festival melódico de trompete, cravo, violino, pianinho, coros de voz aguda, hey-heys e outros muitos instrumentos que não sei reconhecer, mas que me aquecem a alma e, com isso, conferem à música desse pessoal a posição de quase preferida no meu Winamp.

Quase porque eu sou do rock desde o dia em que o tio Carlinhos me deu o Born in the USA na mesma pilha que o Money For Nothing e o IV do Led Zeppelin. Tio Carlinhos = Penny Lane. Desde esse tempo, eu sabia que o rock não desgrudaria de mim. Me permiti algumas poucas vergonhas relacionadas aos meus hábitos musicais desde então, mas nada ameaçou me demover desse norte inquestionável que, entre outras coisas menos mágicas, me apresentou ao meu amado Subterfúgico. (Aqui eu faria uma anotação sobre aquele 22 de novembro de 1996 – 1996, que ano!, o Tijolaço no gramado do Centro Politécnico, João cabeludo de camisa de flanela, etc, etc, etc).

Mas houve um dia em meados dos anos 60 em que Dona Armênia resolveu invadir os EUA, berço do meu ritmo predileto. Se você não tem idade suficiente para saber quem é Dona Armênia, ou se andou maltratando suas sinapses durantes os últimos vinte anos, toma:

Dona Armênia fincou raízes na Califórnia, viveu a vida sobre as ondas, foi ser artista de cinema. Lá, frutificou quatro filhinhas – esqueça Gerson Brenner, Marcelo Novaes e Jandir Ferrari (o horror: não precisei do Google pra lembrar). Os quatro rapazes eram fãs de rock, mas não conseguiam se livrar das influências da mamãe em nenhum momento, mesmo quando estavam possuídos pelo espírito do mal do metal.

Serj Tankian , o band leader, tem essa coisa encapetada em si. Além das dancinhas sexy no palco, outras de suas diabruras podem ser conferidas nos episódios da sitcom Seinfeld – ele dá vida ao personagem Cosmo Kramer.

O resultado dessa queda pelo rock somado à interferência cultural materna fez as quatro filhinhas despontarem como uma banda sui generis (nenhuma relação com Charly Garcia), inconfudível de verdade, capaz de mesclar a riqueza melódica da música cigana com os arrepios de uma guitarra de metal fodida (desculpa, eu pensei em escrever irada, seria pior), sintetizadores do mal e um vocal com tendência lírica, além de ter o apanhado de letras mais desparceirado dessa vida. Lendo essa descrição, eu riria, desmaiaria de preguiça (discurso políticozzzzzz…) e pensaria “fuja, lôca”. Ainda bem que não li: me mandaram por e-mail um mp3 em 2005 (Gafa: saudades e gratidão eterna). E eu morri muito e jurei que seria a banda que eu não perderia ao vivo nem por conta da minha idade avançada, fosse quando fosse ou onde fosse. Simpatia quase amor automática.

Fato é que não perdi. As filhinhas estiveram no Brasil na semana passada. Eu fui. Nada mais será igual. Já assisti o vídeo abaixo quatro vezes desde segunda-feira. Muitos arrepios a cada play.

Logo mais

Sem cuidado algum com métrica ou riqueza de rimas, mas com carinho.

Quando eu for bem velhinha,
Bem mais chata vou ficar.
Não tolerarei portas abertas,
Tampouco sapatos fora do lugar.

Um marido Rolando Boldrin,
Seria o companheiro ideal:
Uma viola e dois olhos azuis
Cantando as belezas do matagal.

Viver num sítio é o mínimo
Que aceito para uma velhice saudável:
Muitos cachorros, patos e galinhas
E uma bela horta, invejada pela vizinha.

Minha filha nos fins-de-semana,
Com os netos a gralhar:
Cinco dias na cozinha,
Pra, em dois, ver tudo acabar.

Uma velha de meia caída,
Cabelo armado e unha carcomida:
Quem diria: o bifão
Chegando aos dias de carne moída.

Mas não há de ser nada
Diferente do que já vejo:
Uns cabelos brancos a mais
E nenhum grande lampejo.

***

Texto que publiquei em 2004, no saudoso 7etc. Vou pescar mais umas coisas por lá pra guardar aqui; azar o seu.

Quatro filmes em seis dias

É tanta emoção atingir uma meta como esta num lar em que vive um bebê de um ano e pouco que só entende mesmo quem já teve um bebê de um ano e pouco em casa.

QUINTA – Senna – o filme:  minha memória de peixe me impede de recordar a maioria dos fatos da forma como eles aconteceram à época, então tudo o que tenho hoje são as cenas do filme. Com base nelas, afirmo e discuto com quem gosta de brigar (1 membro) que Ayrton Senna não era humano. Fé sobre-humana, talento sobre-humano, perseverança sobre-humana, moral sobre-humana. Tudo isso de lindo na pessoa somado às coisas lindas que diziam e faziam aqueles que eram próximos e mais o fator “Marley & Eu” do final conhecido da história me fizeram estrebuchar em lágrimas que me levaram a dormir e acordar com dor de cabeça. João diz que é triste, mas é bonito. Eu digo que é bonito, mas é triste. Os momentos de beleza são muito sublimes e bonitos até pela sutileza, quando em gestos ou palavras. A tristeza começa no abraço e nas palavras que o jovem Ayrton ganha da mãe na altura do segundo minuto de filme e só cresce. Tá louco, não aguento.

No mais, espetáculo pra quem curte F1, anyway. A evolução da categoria no quesito segurança é o fator mais marcante do filme enquanto documentário sobre Fórmula 1. As primeiras imagens do Senna correndo de Tolleman davam a impressão clara de que o piloto decolaria a qualquer encostada mais tensa, os carros eram muito pequenos e não havia o conceito de “cápsula de sobrevivência”, os caras corriam com parte do tronco pra fora, gaaaaá. Sério. Filho meu não brinca disso.

SEXTA – Whatever Works: não tinha o que dar errado numa fórmula que une Woody Allen e Larry David. Funcionou como um contraponto ao filme do dia anterior. Um sujeito azedo, hipocondríaco, esnobe e recalcado, que chegou a beirar o reconhecimento profissional, que empurra a vida com a barriga, eventualmente tentando se livrar dela. Dei muita risada. Depois percebi que ri porque sou uma azeda parecida com Mr. Boris e fiquei com um pouco de vergonha.

SÁBADO – WHISKY:  escrever na quarta sobre um filme visto no sábado muda tudo. Quando acabou eu descasquei. Agora controlei minha ariana, refleti e concluí que é um bom filme, que apenas não foi concebido pra ser assistido por gente com sono e relativamente embriagada. Cochilei algumas vezes, não perdi nada. A história é tão simples que, se eu botar uma linha aqui, conto tudo. Mas o filme é bem sacado em suas sutilezas, tem uma bela (feíssima) direção de arte, a edição é excelente. Me lembrou um pouco O Pântano nos momentos de leseira master.

TERÇA – EDUCAÇÃO: tive três tipos de nheconheco quando soube que um filme com roteiro de Nick Hornby concorreria ao Oscar, mas o tempo passou e esqueci. Consultando a lista de filmes desejados na loucadora, esse tava lá e disponível na prateleira, abracei. Expectativa é uma merda, mas frustração é uma das belas coisas de que a vida é feita. Frouxo o roteiro poderia ter sido escrito por mim, considerando que não brinda a audiência com qualquer coisa especial, surpreendente ou brilhante. Mas é uma boa história, a fotografia é linda, a produção e primorosa (Inglaterra anos 50, me abana) e os atores são excelentes. Não causa qualquer sensação extremada, mas é isso que quero sentir, às vezes.

Fila: um fenômeno curitibano

Talvez eu não seja a voz mais indicada pra levantar essa questão, porque sou meio obcecada pela organização em suas mais diversas manifestações. O negócio é que muitas vezes já vi gente rindo, espantando-se ou mesmo indignando-se com as filas, que (diz-se), são um  fenômeno curitibano.

Considero a fila, enquanto elemento organizador, é um ator da justiça. Eu cheguei primeiro (ou seja, porque acordei mais cedo, saí de casa antes, corri mais, moro mais perto, whatever), é justo que eu seja a primeira a ser atendida, ou servida, ou a entrar. Aceito no mesmo cenário a distribuição de senhas como substituto equivalente. Mas não consigo imaginar outra solução anticaos para resolver a equação gente X demanda. Além disso, a fila é esteticamente mais interessante do que a malcheirosa “muvuca”.

Não defendo a fila, nem recrimino quem goza dela. Só me intriga saber como nos outros pontos do planeta o pessoal se organiza quando uma porção de gente espera ao mesmo tempo pela mesma coisa.