Logo mais

Sem cuidado algum com métrica ou riqueza de rimas, mas com carinho.

Quando eu for bem velhinha,
Bem mais chata vou ficar.
Não tolerarei portas abertas,
Tampouco sapatos fora do lugar.

Um marido Rolando Boldrin,
Seria o companheiro ideal:
Uma viola e dois olhos azuis
Cantando as belezas do matagal.

Viver num sítio é o mínimo
Que aceito para uma velhice saudável:
Muitos cachorros, patos e galinhas
E uma bela horta, invejada pela vizinha.

Minha filha nos fins-de-semana,
Com os netos a gralhar:
Cinco dias na cozinha,
Pra, em dois, ver tudo acabar.

Uma velha de meia caída,
Cabelo armado e unha carcomida:
Quem diria: o bifão
Chegando aos dias de carne moída.

Mas não há de ser nada
Diferente do que já vejo:
Uns cabelos brancos a mais
E nenhum grande lampejo.

***

Texto que publiquei em 2004, no saudoso 7etc. Vou pescar mais umas coisas por lá pra guardar aqui; azar o seu.