Quatro filmes em seis dias

É tanta emoção atingir uma meta como esta num lar em que vive um bebê de um ano e pouco que só entende mesmo quem já teve um bebê de um ano e pouco em casa.

QUINTA – Senna – o filme:  minha memória de peixe me impede de recordar a maioria dos fatos da forma como eles aconteceram à época, então tudo o que tenho hoje são as cenas do filme. Com base nelas, afirmo e discuto com quem gosta de brigar (1 membro) que Ayrton Senna não era humano. Fé sobre-humana, talento sobre-humano, perseverança sobre-humana, moral sobre-humana. Tudo isso de lindo na pessoa somado às coisas lindas que diziam e faziam aqueles que eram próximos e mais o fator “Marley & Eu” do final conhecido da história me fizeram estrebuchar em lágrimas que me levaram a dormir e acordar com dor de cabeça. João diz que é triste, mas é bonito. Eu digo que é bonito, mas é triste. Os momentos de beleza são muito sublimes e bonitos até pela sutileza, quando em gestos ou palavras. A tristeza começa no abraço e nas palavras que o jovem Ayrton ganha da mãe na altura do segundo minuto de filme e só cresce. Tá louco, não aguento.

No mais, espetáculo pra quem curte F1, anyway. A evolução da categoria no quesito segurança é o fator mais marcante do filme enquanto documentário sobre Fórmula 1. As primeiras imagens do Senna correndo de Tolleman davam a impressão clara de que o piloto decolaria a qualquer encostada mais tensa, os carros eram muito pequenos e não havia o conceito de “cápsula de sobrevivência”, os caras corriam com parte do tronco pra fora, gaaaaá. Sério. Filho meu não brinca disso.

SEXTA – Whatever Works: não tinha o que dar errado numa fórmula que une Woody Allen e Larry David. Funcionou como um contraponto ao filme do dia anterior. Um sujeito azedo, hipocondríaco, esnobe e recalcado, que chegou a beirar o reconhecimento profissional, que empurra a vida com a barriga, eventualmente tentando se livrar dela. Dei muita risada. Depois percebi que ri porque sou uma azeda parecida com Mr. Boris e fiquei com um pouco de vergonha.

SÁBADO – WHISKY:  escrever na quarta sobre um filme visto no sábado muda tudo. Quando acabou eu descasquei. Agora controlei minha ariana, refleti e concluí que é um bom filme, que apenas não foi concebido pra ser assistido por gente com sono e relativamente embriagada. Cochilei algumas vezes, não perdi nada. A história é tão simples que, se eu botar uma linha aqui, conto tudo. Mas o filme é bem sacado em suas sutilezas, tem uma bela (feíssima) direção de arte, a edição é excelente. Me lembrou um pouco O Pântano nos momentos de leseira master.

TERÇA – EDUCAÇÃO: tive três tipos de nheconheco quando soube que um filme com roteiro de Nick Hornby concorreria ao Oscar, mas o tempo passou e esqueci. Consultando a lista de filmes desejados na loucadora, esse tava lá e disponível na prateleira, abracei. Expectativa é uma merda, mas frustração é uma das belas coisas de que a vida é feita. Frouxo o roteiro poderia ter sido escrito por mim, considerando que não brinda a audiência com qualquer coisa especial, surpreendente ou brilhante. Mas é uma boa história, a fotografia é linda, a produção e primorosa (Inglaterra anos 50, me abana) e os atores são excelentes. Não causa qualquer sensação extremada, mas é isso que quero sentir, às vezes.

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Um pensamento sobre “Quatro filmes em seis dias

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