Da arte de transformar grafite em diamante

Quem não se lembra do tempo em que só existia caixa de bombons Garoto e que ela pesava generosos 500g tá perdendo tempo aqui neste blog de vó.

Pois bem. Os bombons eram praticamente os mesmos que vêm nessa caixinha mirrada atual: Alô Doçura, Opereta, Serenata de Amor, Crocante, Caribe e assim por diante. Além desses, a caixa também trazia os “Heróis da Resistência”, aqueles bombons que permaneciam lá dentro por dias e dias depois de deflagrado o início dos trabalhos de comilança: os detestados bombons de frutas. Banana, Ameixa, Abacaxi.

Normal era deixar esses sabores exóticos na caixa, esquisita era a criança que gostava deles.Eu era uma criança esquisita: coisa mais sem graça da vida bombom de chocolate só com chocolate, curtia mesmo um azedinho de fruta dentro. E curto até hoje, tanto que grunhi de alegria quando, no começo do ano, a Garoto anunciou a volta dos bombons de frutas com novos sabores e numa embalagem só para eles.

Só eu sei quanto sofri pra achar essa parada aqui no interior. Mandei e-mails pra Garoto (que duas vezes respondeu sem esclarecer minha dúvida, sensacional), andei por supermercados que não fazem parte de minhas rotas, procurei em mercados pela web. Nádegas, até o dia em que entrei no Festval da Manoel Ribas e, sem querer, encontrei a caixinha (lhinda, por sinal).

Comprei, abri e comi os 14 bombons no caminho entre o mercado e a minha casa. Tem até recheados de amora e damasco, coisa fina. Agora, fina mesmo foi a estratégia da firma de Cachoeiro do Itapemirim: repaginou um produto meio desprezado que passou tempos longe do mercado, meteu numa embalagem diferentona e tá cobrando algo em torno de R$ 60 pelo quilo dos bombons desprezados. Só bobo, ou gorda, pra pagar preço de Kopenhagen por chocolate de linha industrial. Eu sou ambos.

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